A Farsa

E quando descobre-se que a vida que se possui é uma farsa?

Existem tantas coisas a fazer. Você pode escolher uma ou, se o desespero for tão grande, usar todas. Aliás, não é uma questão de escolha. São apenas etapas de uma farsa.

Primeiro. Você recusa a ideia. Diz que aquilo não passa de sua imaginação fértil trabalhando á todo vapor em algo que apenas serve para teu mal. Afinal, uma cabeça ociosa é oficina do Diado e você só está sofrendo com aqueles pensamentos.

Segundo. De tanto pensar, e repensar, você acaba tendo certeza daquilo. Todos estão contra o teu bem-estar. Todos fazem de tudo para serem melhores que você. E, admitindo a verdade, eles são melhores. Em tudo. Então, percebe que tudo o que fez e o que conseguiu não é apenas fruto de seu suor, de seu árduo trabalho, e sim folhas secas de sua inveja. Aquele carro, você quis por causa do vizinho. Mas nem assim ele é tão bom quanto o outro. Por isso uma folha seca.

Terceiro. E por fim você se entrega. Entrega-se a sua verdade absoluta, a seus momentos de devaneios, a sua vitimização horrenda. Ainda não percebe, mas tudo o que pensou e o que fez até aquele momento é mentira. Entretanto, você vai levar sim o bom e o ruim para sua próxima etapa, como lembranças ou traumas. Aliás, para as próximas etapas, além desta e da posterior.

Quarto. O recomeço. Ponto no qual você pára e observa tudo o que pensou nesse curto ou eterno momento – dependendo da pessoa essa etapa nunca chega pois ela se entrega mais drasticamente as suas verdades falsas…Se é que me entendem! – não passou de sonho. Digo, na questão abstrata, de que nada daquilo era real. Você recomeça. Forma novos pensamentos, novos fundamentos para sua vida. Ou, mesmo que não tenha fundamento para sua vida, você simplesmente escreve num blog.

Se as pessoas aprendem ou não com o que escreve, isso realmente não é seu problema. Se as pessoa te caluniam por suas costas, mesmo sem te conhecer, não importa. Eu decidi isto nesse exato momento, e em vários outros ao longo de minha vida pensante. Sempre disse á mim mesma, ao meu interior, que iria mudar a partir daquele instante. Nunca consegui. Acho que faltou um registro.

Talvez ainda não tenha amadurecido. Talvez meu lugar não seja aquele dos maiores de 18 anos, dos grandes escritores, dos grandes filósofos, das atrizes famosas, dos empresários de pompa. Talvez ainda seja uma criança querendo viver sonhando aquela bela história de principes, princesas e unicórnios. Acredito que não. Penso o suficiente para saber que são mentiras, que a verdade está na fome dos miseráveis, na corrupção dos governos, na maldade do ser humano, no sofrimento dos animais e na morte da natureza. E – um último talvez – talvez o amor, apesar do maior e mais forte sentimento, não seja capaz de mandar a humanidade para outro caminho que não a extinção. E, dito isso, será mesmo que não é uma farsa?

Thoe Casanova**

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2 pensamentos sobre “A Farsa

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